Jovens que confundiram preço de vinho bebem segunda opção mais barata em jantar de cortesia: ‘A gente está traumatizado’

Jovens que confundiram preço de vinho bebem segunda opção mais barata em jantar de cortesia: ‘A gente está traumatizado’

Uma semana após enfrentarem o “constrangimento” de confundir o preço de um vinho e pagar R$ 1.650 por cada garrafa que pensaram custar R$ 165, os quatro amigos que protagonizaram a história voltaram ao restaurante Mistura, em Salvador, para um “jantar-cortesia”. Eles ganharam o brinde após a confusão viralizar nas redes sociais e, mesmo livres para escolher o que quisessem, preferiram bebidas mais modestas.

O grupo aceitou as sugestões do sommelier: os vinhos Fiano Sannio DOP e Coda di Volpe, cujas garrafas custam R$ 206 e R$ 190, respectivamente. De acordo com a cartela de preços no site do estabelecimento, esse último é a segunda opção mais barata do cardápio.

“A gente está um pouco traumatizado ainda com o Pêra Manca”.

André, Thalyta, Juliana e Pedro com o garçom que os atendeu nas duas idas ao restaurante — Foto: Arquivo pessoal

A declaração feita em tom de brincadeira é da arquiteta Thalyta Figueiredo, que voltou a conversar com o g1 após o jantar no domingo (14). Ela conta que foram recebidos pelo empresário Luca Alfonsi, filho dos sócios do restaurante, que está assumindo a gestão do estabelecimento.

A equipe do Mistura decidiu oferecer a refeição após se solidarizar com a inexperiência dos jovens no quesito vinhos e acompanhar a repercussão da história. Durante o jantar, os quatro receberam tratamento VIP com todos os pratos bem apresentados.

“A gente chegou aqui e o dono já recebeu a gente. Os garçons também resenharam, contando que todo dia, quando alguém vem aqui, faz a piadinha: ‘oh, por favor, só não quero Pêra Manca'”.

Ela, o namorado e o casal de amigos também não quiseram. Nesse sentido, o mais perto que eles chegaram do título foi na sobremesa escolhida por André, companheiro de Thalyta. O rapaz pediu “Pêra ao zaferano”, doce com mel de cacau e sorvete de gorgonzola, cuja apresentação remete à fruta.

Sobremesa “de pêra” escolhida por jovem que confundiu preço do vinho Pêra Manca — Foto: Arquivo pessoal

Cardápio especial

🍷 Para o grupo, o vinho caro não fez falta. Eles experimentaram uma série de pratos.

Crudo Di Mare, uma das entradas servidas ao quarteto no restaurante Mistura — Foto: Arquivo pessoal

Entre as entradas, os destaques foram o Crudo Di Mare (R$ 142), apresentado como “degustação de proteínas classe A+ frescas e cruas”, e o Carpaccio de polvo (R$ 92), com frutos do mar, creme de erva doce e cebola roxa.

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🍤 Para o prato principal, cada um fez uma escolha:

Pedra que Ronca, um dos pratos principais escolhidos pelos jovens no restaurante Mistura — Foto: Arquivo pessoal

  • Thalyta pediu o Carré de cordeiro uruguaio (R$ 139)
  • Pedro – Filé de badejo grelhado (R$ 108)
  • Juliana – Risotto de Camarão Trufado (R$ 126)
  • André – Pedra que Ronca (R$ 145)

🧁 E se no último fim de semana, eles nem pediram sobremesa, dessa vez, o passeio terminou doce. As escolhas também foram variadas:

  • Thalyta – Panna Cotta (R$ 39)
  • Pedro – Tiramisu (R$ 44)
  • Juliana – Frutas Vermelhas (R$ 48)
  • André – Pêra ao zaferano (R$ 42)

Relembre a história que viralizou

Thalyta, André, Juliana e Pedro saíram para almoçar no fim de semana em Salvador e, na hora de pedir a conta, foram surpreendidos pelo valor: R$ 4.512,09. O motivo? Eles escolheram, sem saber, um vinho que custava R$ 1.650. Pior ainda: depois de tomar a primeira garrafa, pediram outra. Achavam que pagariam R$ 165 por cada garrafa.

“A gente sempre escolhe o vinho mais barato pra economizar”, disse ao g1 a arquiteta Thalyta Figueiredo, que estava no almoço.

A jovem de 27 anos contou que os amigos começaram a beber antes mesmo de conseguir uma mesa, porque o restaurante estava cheio e a espera foi longa.

“Ficamos na recepção aguardando ser chamados. Depois, fomos do hall de entrada para o sofá interno, e aí decidimos pedir logo o vinho e duas entradinhas”, afirma.

Thalyta afirma que teve dificuldade para acessar o cardápio via QR Code, mas a amiga conseguiu visualizar e anunciou o que parecia ser um ótimo negócio: “Gente, tem um [vinho] aqui de R$ 165”.

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Só que Juliana, a amiga, não notou que havia um zero a mais no preço: a garrafa do vinho branco Pêra Manca, de Portugal, não custava R$ 165, mas R$ 1.650.

Uma consulta ao cardápio do restaurante na internet mostra que o vinho mais barato lá custa R$ 190. Os valores chegam a R$ 2.599.

Os amigos degustaram, aprovaram e seguiram bebendo o vinho até pedirem outra garrafa, sem desconfiar da surpresa que viria no final.

Thalyta à direita, na janela, junto ao namorado e um casal de amigos em Salvador — Foto: Arquivo pessoal

A hora da conta

Ao analisar a situação posteriormente, Thalyta reconhece que o comportamento dos funcionários já dava indícios de um “tratamento vip”. Por exemplo: um garçom atravessou o salão só para encher as taças do grupo. Mas a ficha só caiu mesmo quando eles pediram a conta.

“Quem recebeu foi Pedro [namorado de Juliana]. E, quando ele mostrou, me deu uma dor de barriga, eu fiquei quente.”

A arquiteta primeiro achou que a conta havia sido trocada com outra mesa. Porém, eles logo conferiram o cardápio e perceberam o erro.

“Ficou aquele desespero, a gente ficou constrangido, acho que os garçons perceberam, ficaram esperando a gente chamar pra ver a máquina.”

Thalyta degustando o vinho caro antes de descobrir o preço — Foto: Arquivo pessoal

Entre idas ao banheiro e muita tensão, eles não tiveram alternativa. Dividiram o total por quatro — ficou R$ 1.128,02 para cada — e pagaram o almoço.

Procurada pelo g1, a assessoria de comunicação do Mistura disse que o vinho Pêra Manca “tinha o seu valor explícito no cardápio”, mas “se solidarizou com a inexperiência dos jovens”. Em nota, a empresa afirmou que a direção tomou conhecimento do fato pelas redes sociais e já entrou em contato com o grupo para oferecer um jantar como cortesia.

Confira a nota na íntegra:

O Mistura nunca passou por essa situação, mas se sensibilizou com o ocorrido. O restaurante tem um cardápio bem democrático, tanto na gastronomia quanto na enologia, mantendo a tradição da cultura do Mistura, que nasceu em uma barraca de praia, ao lado de uma colônia de pesca no bairro de Itapuã, e sempre com rótulos de vinhos de todas as uvas, regiões e preços, atendendo a todos os bolsos e também aos paladares mais exclusivos. Como o Pera Manca, um dos vinhos de grande valor agregado em qualquer restaurante e que tinha o seu valor explícito no cardápio, assim como todas as bebidas, com taças de vinho a partir de R$ 29 e garrafas até R$ 5.000. A direção do Mistura tomou conhecimento do fato pelas redes sociais e imediatamente se solidarizou com a inexperiência dos jovens, procurando o contato do grupo para oferecer um jantar como cortesia.

Fonte:G1-Ba

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