Ator baiano Hilton Cobra celebra sucesso de Cata Ouro, personagem marcante na novela Fuzuê
Baiano Hilton Cobra fala sobre atuação em Fuzuê e celebra personagem — Foto: Estevam Avellar/Globo/Reprodução
Cata Ouro não é ladrão! A frase marcante sai de cena nesta sexta-feira (1º), no último capítulo da novela Fuzuê, na Rede Globo. O autor à frente do bordão é o ator baiano Hilton Cobra, de 67 anos, que encerra o ciclo de trabalho com o personagem Cata Ouro, o sucateiro que anda pelas ruas sempre ao lado de Gata, sua cadela de estimação.
O g1 conversou com o artista, que celebra o término de um trabalho inesquecível na TV após uma carreira de 40 anos no teatro.
Em Fuzuê, obra escrita por Gustavo Reiz, Cata Ouro foi retratado como uma figura emblemática nas ruas onde a história acontece. Ele garimpava entre montes de descartes em busca de metais preciosos e destilava ar de mistério no enredo.
Retratado com figurino formado com acessórios feitos com materiais reutilizados, Cata Ouro impactou o público como o típico personagem que parece ter saído de uma lenda urbana. As andanças pela cidade e os trejeitos são marcados pelo comportamento excêntrico e a repetição de frases que soam delirantes.
“Foi um processo de caracterização muito bem feito pela equipe”, comenta.
???? Do teatro ao sucesso na TV
Nascido em Feira de Santana, cidade conhecida como Princesa do Sertão e que fica a cerca de 100 km de Salvador, Hilton Cobra começou nos palcos de teatro local. Antes disso, teve experiências profissionais na área contábil e desempenhava funções no departamento pessoal.
Nessa fase, o “cobra” foi inserido em sua vida por colegas que reconheciam a rapidez com que utilizava a máquina de datilografia. Ao ser transferido para Salvador, o apelido o acompanhou.

Baiano Hilton Cobra atua como Cata Ouro na novela Fuzuê — Foto: Globo/Léo Rosario/Reprodução
A transição para teatro, na década de 70, marcou um ponto crucial em sua vida. Em 1978, foi convidado pelo diretor do grupo teatral Carranca, Luiz Marfuz, para ser o protagonista no espetáculo “Solta-me Orelha”. O trabalho rendeu a indicação de melhor ator de teatro na ocasião.
No mesmo ano, protagonizou o filme “O Julgamento de Tião”, do diretor Anselmo Serrat.
???? Estreia em novelas na década de 90
Hilton Cobra estreou em novelas no ano de 1992, em participação na novela “Perigosas Peruas”. Na trama, escrita por Carlos Lombardi e com direção de Roberto Talma, Cobra interpretou um presidiário gay chamado Pink.
“Foi um personagem apaixonante, gostei muito desse trabalho. Na época eu queria mesmo ser famoso”, comenta. Após essa experiência, seguiu na dedicação ao teatro e decidiu passar um longa temporada longe da telinha.

Hilton Cobra interpreta Cata Ouro na novela Fuzuê — Foto: Globo/Estevam Avellar/Reprodução
“Pedi a Rede Globo para me retirar do sistema e isso foi respeitado. Dezoito anos depois do pedido, retornei com esse papel”, assinalou.
Para o audiovisual, seu desejo é conseguir ser o ator que atua com a mesma competência que aplica no teato.
“Como diz dona Fernanda Montenegro, a contribuição que tenho para o audiovisual é o meu teatro”, comenta.
Pontos marcantes na história do ator
???? Esteve à frente do Centro Cultural José Bonifácio, no Rio de Janeiro, de 1993 a 2000, época em que idealizou e implementou projetos significativos como Nossas Yabás, “Projeto Griot” e “Zumbi Rio – 300 Anos”.
✊???? Deu origem ao Akoben, coletivo de artistas negros.
????Em 2013, foi nomeado para presidir a Fundação Cultural Palmares, onde permaneceu até 2015.
???? Em 2022, atuou no filme “Medida Provisória”, interpretando o personagem Gaspar, a convite do diretor Lázaro Ramos. O trabalho é uma adaptação da tragicomédia teatral “Namíbia, Não!”, originalmente escrita por Aldri Anunciação.
✊???? O ator foi participante ativo do movimento negro por 34 anos.
???? Hilton pode ser visto também na segunda temporada na série original Globoplay “Vicky e a Musa”, onde interpreta o diretor teatral Orlando Gutierrez. O personagem descobre que seu teatro estava sendo utilizado sem sua autorização e lida com dívidas.
????????♂️????????♂️????????♂️ O ator é responsável pela fundação da Companhia dos Comuns, Inspirada pelo legado do Teatro Experimental do Negro – TEN. A companhia é composta por um elenco integralmente formado por artistas negros.
Fonte G1-Ba

