Empresários e prestadores de serviço de Trancoso protestam contra liminar que impede festas sem licenças adequadas

Empresários e prestadores de serviço de Trancoso protestam contra liminar que impede festas sem licenças adequadas

Empresários e prestadores de serviço de Trancoso, distrito turístico de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, protestaram contra a liminar que impede festas sem licenças adequadas, nesta terça-feira (9). O grupo alega que a decisão judicial impossibilita a geração de trabalho e renda na cidade.

O grupo tem reagido a uma liminar que determina o cumprimento de duas leis federais e uma municipal, que estabelecem regras para o uso de equipamentos de som, para evitar a poluição sonora e a perturbação do sossego, além do impedimento do uso público das praias.

De acordo com os empresários, diversas áreas do comércio são afetadas, a exemplo do negócio de Francisco Araújo, que é dono de um hostel e oferece atendimentos de logística, segurança e staff para festa, como equipes de limpeza e bombeiros civis, há 13 anos.

Empresários e prestadores de serviço de Trancoso protestam contra liminar que impede festas sem licenças adequadas — Foto: Arquivo pessoal

“Em alguns casamentos, a gente gera renda direta para 60 pessoas por dia, a maioria delas diaristas, pessoas que estão atrás de uma renda extra. Tem eventos que passam dessa quantidade. Se acabar os eventos vai prejudicar a população em geral, porque é uma renda para a comunidade”.

“Que haja regras e que as regras sejam cumpridas, mas que sejam regras maleáveis para que a gente possa gerar empregos”, argumentou Francisco.

A esteticista Josi Santos trabalha há 15 anos junto com a família, fornecendo serviços de beleza, como manicure, maquiagem e massagens. A equipe familiar atende principalmente noivas, madrinhas e convidados, além de oferecer spa na festa de casamento.

“Sem os casamentos, não existe Trancoso. Já estamos com queda nos atendimentos, esse ano está muito difícil. Nós vivemos disso, não só a minha família, mas Trancoso inteira. Sem esses eventos, o que a gente vai fazer da vida, se não tem trabalho? Estamos nos manifestando, gritando, pedindo socorro por Trancoso”.

As regras

Igreja de Trancoso é local histórico do distrito de Porto Seguro — Foto: Reprodução/G1

Atualmente, as regras determinam que os estabelecimentos de Trancoso só podem usar equipamentos sonoros se tiverem licenças e cumprirem medidas, como a apresentação de um projeto acústico ou laudos de garantia da não propagação do som além dos limites permitidos.

As regras para essas medidas sobre a poluição sonora são estabelecidas a partir das leis federais das contravenções penais e do meio ambientes, bem como da lei municipal para o uso legal dos equipamentos, com limites de decibéis e horários para o som.

A liminar que exige o cumprimento dessas lei foi impetrada a pedido de uma associações de moradores, que estão incomodados com transtornos causados pelas festas, como músicas altas por toda a madrugada.

As medidas da lei são consideradas duras pelos empresários e prestadores de serviço que atuam na região do Quadrado, um dos points de Trancoso. O grupo pede que haja flexibilizações, para que os eventos não deixem de ser realizados.

Empresários propõe acordo

Os empresários constituirão, em um documento, o material a ser apresentado ao MP-BA, para a tentativa de instituir um Termo de Ajustamento de Conduta entre as partes. O acordo proposto por ela estabelece diferentes horários de encerramento das festas para locais diferentes:

  • Casamento no Quadrado até 1h da madrugada;
  • Casamento na praia até 3h da madrugada;
  • Casamento no teatro (que fica mais afastado das residências) até 8h da manhã do dia seguinte.

A proposta será montada e apresentada na Câmara de Vereadores até a quarta-feira (10). Depois disso, caso o acordo seja aceito pela gestão da cidade, os empresários levarão o documento para ser validado pelo MP-BA.

Fonte:G1-Ba

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